sábado, 18 de abril de 2009

Jornada


Jornada

- Quem disse que deveríamos estar aqui??
- Escolhemos nosso destino e tentamos encontrar culpados!
O que você pensa que vai conseguir, meu amigo?
Depois de tudo, de todas as escolhas... você estava em terra firme, dizia não encontrar caminho para onde queria chegar... vislumbraste o mar, testemunhaste seu ímpeto, sua audácia em golpear nossa coragem com suas tempestades imprevisíveis. Você pode retirar seus familiares da embarcação, poderia ter saído com eles, seguido no barco de apoio... mas você ficou, meu amigo... Você ficou!
Como você deseja alcançar seu objetivo? Com lamúrias, afrouxando o braço no remo, imaginando como será ser tragado, abocanhado por uma espécie aquática voraz... sofres antes o que haveria de sofrer... porque não se regozija pelo quem nem pode viver, porque não te alegras pelo que vai encontrar na chegada??? Ah... entendi... você não quer chegar, aliás, você não está pronto para chegar, você está pronto para sucumbir, sabendo que não poderá imergir. Cadê aquele amigo que transbordava vontade! Vontade!...Não tarda para desfalecer, para desaparecer... Não construa castelos de areia na beira do mar... ou construa-os, mas não procure abrigo neles... ou procure, mas não espere resistência. Só vejo sua persistência em largar o remo...
Agora veja! Até o sol, que parecia ausência certa nesta tarde, rasgou as nuvens e flechou um raio de luz na tua face! Fazes o mínimo que podes, já será o bastante.
Eu não sou o mais forte nem o mais corajoso, porém, tenho no inconsciente uma arma maior do que qualquer ciência racional: o instinto de chegar, de resistir e de questionar o limite do homem: não há limite!!
Podemos chegar com este barco aonde desejarmos... Desejando com o sangue, meu amigo!
Infestando seu coração de valores genuínos, meu amigo.... Lembrando de sua história, de quem passou por você e marcou sua memória...
Posso imaginar agora, um coro ovacionando-nos: Bravo! Bravo! Bravo!
Temos uma multidão dentro da gente, só aguarda nossa permissão para remar conosco!
- Vamos, meu amigo! Estibordo.... Bombordo.... 30 graus estibordo... rápido....
- Nos livramos de mais uma ... ufa.... vem outra..... 45 graus bombordo...rápido!
- Levante aquela vela que pendeu com a onda... vamos, lá vem outra...
- E agora?
- Desista dessa vela, hastear a reserva é a solução! Rápido...

(não importa o final...)
(importa o re-inicio daquele que temia passivamente se afogar com a nau)
(agora eles lutam... e pode parecer loucura essa luta desigual... mas que luta se vence de igual para igual?)
(de igual para igual é fluxo perene, equilíbrio ameno)
(Lute, meu amigo! Dentro de você há alvejadores, que norteiam seu leme...seus sentidos dizem pra gozar mais um pouco, quer sempre ludibriar...
Domar a si mesmo é mais árduo que domar um barco numa tempestade intrépida.
Ser solto, livre... não impede... isso difere... sem domínio não és livre...
és vulnerável a qualquer vento.. Não tem hora pra dormir nem pra acordar... nem para acordar.


3 comentários:

  1. É, vc não é mais um menino. É um homem muito consciente dos meandros da vida e das sutilezas nas entrelinhas dos sentimentos!
    Parabéns, Poeta!

    Aninha

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. "o limite do homem: não há limite!"

    bastante otimista e encorajador... porque, "navegar é preciso, viver não é preciso"

    =)

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